sábado, 27 de outubro de 2012

1X03 - Under the moon




CENA 1 - OCIDENTE - FLORESTA

A câmera abre lentamente em uma imensa floresta, ouvimos sons de pássaros e insetos. A câmera foca nos rostos de August e Hamsik respectivamente, ambos estão caminhando, com suas roupas sujas de lama. As árvores do local são muito altas e as folhas se entrelaçam, dificultando a visão do céu.


AUGUST - Será que se Euclides estivesse aqui ele ao menos me daria um parabéns ?


HAMSIK - Eu não sei, jovem consagrado. Meu senhor não é nem um pouco previsível ...


AUGUST -  Por que se dirige á ele com tanto respeito ?


HAMSIK  - Sou um anão, pelos costumes do ocidente, somos feitos de escravos ... Quando um filho nasce anão, os pais os vendem em troca de pouco ouro ou em alguns locais até mesmo comida.   Queria conhecer a vadia da minha mãe.
 

AUGUST - Por quê ?


Hamsik gira uma adaga entre os dedos.


HAMSIK - Quero ter o prazer de cortar a garganta dela.


AUGUST - Não sou ninguém para te julgar, mas não apoio sua maneira de pensar, afinal de contas ela é sua mãe, sua geradora.


HAMSIK - E ao mesmo tempo é a pessoa que me condenou a uma vida de miséria.


AUGUST - Fuja, ué. Euclides deve descansar em algum momento do dia ou mate-o.


HAMSIK - São leis muito mais do que rígidas, meu jovem. Se eu fugir serei escravizado por outro e assim sucessivamente. Anões não vivem felizes e nem muito menos em família.


AUGUST - Não vejo o porque de eu ser escolhido para ajudar pessoas que pensam dessa maneira ...


HAMSIK - Eles não impuseram essas regras. Quem as elaborou e as colocou em prática foi a corte, e o mesmo conceito se aplica para deficientes mentais ou físicos, eles ainda tem menos sorte, pois são diretamente crucificados. Geralmente os bebês são jogados de penhasco. Uma pessoa só é vista como ela é realmente quando é normal.


AUGUST - Não consigo entender essa maneira de pensar ...


HAMSIK - A única coisa que você tem que entender é que os membros da cortes são seus verdadeiros inimigos e essa é sua missão, conseguir a paz de volta.


Percebemos barulhos entre as árvores.


HOMEM (OFF) - Por aqui Minos, consigo sentir o cheiro deles.


Hamsik se abaixa e coloca as mãos no solo. Sua expressão fica aterrorizada.


HAMSIK - Estão próximos ! Corra !


Os dois saem correndo. A câmera vai escurecendo lentamente, conforme ambos vão atravessando a floresta e se escondendo entre diversas plantas.


Cena 2 – Ocidente - Praça Principal


Percebemos um grupo de soldados enfileirados e um vão no meio que dava a aparência de um corredor. Percebemos Tyler, Jannete, Kate e Allarón ao fundo. Diversas carroças vão chegando e soldados vão passando recebendo o cumprimentos de Tyler.



TYLER – E são esses homens de astúcia, coragem, habilidade e vontade os que voltam do campo de batalha. Homens que devem ser respeitados, admirados e antes de tudo idolatrados !



Os soldados erguem a mão e gritam em concordância, Tyler sorri. A câmera desvia seu foco e percebemos Shakam e Francis caminhando em direção á família e
cumprimentando-os.



TYLER – E nossos mais bravos homens, General Shakam responsável pelo sucesso da missão de dominação de mais de treze acampamento de refugiados e garantido a sobrevivência de mais da metade de seu esquadrão e a peça mais importante de nossas tropas, Francis.



Percebemos novos gritos e logo ambos adquirem um lugar ao lado da família real. Shakam desta vez toma lugar á frente e começa a discursar. A câmera foca em Jannete sussurando com Tyler.


TYLER – Onde está Anoã ?


JANNETE – Ele me disse que iria até aquele bar na entrada da cidade, não queria essa diplomacia toda.


TYLER - E você não disse nada ?


JANNETE – Como eu iria força-lo ?


TYLER – Isso é problema seu, não importava o que fizesse ele tinha que estar aqui !


Jannete se cala e a câmera vai mudando de foco, imagem escurece.


Cena 4 – Ocidente – Bar Local

Percebemos diversos homens bebendo e jogando, Anoã está deslocando em uma mesa sozinho na sacada do estabelecimento. Uma garçonete (Carice Van Houten) lhe traz uma garrafa com um líquido vermelho, Anoã bebe rapidamente.


GARÇONETE – Mais uma porção, senhor ?



ANOÃ - Acho melhor não, não quero me embebedar.



GARÇONETE- Se não quer ser embededar por qual outro motivo viria até aqui ? Conheço gente como o senhor ... da realeza, vem até aqui para jogar ou conseguir mulheres fácil.



ANOÃ – Eu não sou como eles ... muito pelo o contrário, eu sou totalmente diferente. Se quer saber de uma coisa eu estou ficando de saco cheio disso.




GARÇONETE – Diferente ? Não creio que seja, afinal nunca passou por nenhuma dificuldade e são pessoas do seu sangue que estão criando essa dominação sem sentido.



ANOÃ - Ter dinheiro não significa não ter dificuldades, tenho tantos problemas quanto você, talvez até mais.



Anoã sorri.


ANOÃ – Afinal, como é mesmo o seu nome ?


GARÇONETE - Rin.


ANOÃ – Anoã.


Os dois sorriem. Quando um homem a grita.



HOMEM - Saia daí vagabunda, está na hora de servir as outras mesas.



RIN - Sim senhor. !



Rin sai em direção ao homem. Anoã se levanta também e caminha em direção ao mesmo homem, ele lhe dá um empurrão o que faz com que o homem caia para o lado em cima de uma mesa com algumas canecas de vidro que logo se quebraram.



ANOÃ – Acha mesmo que isso é jeito de tratar uma mulher ?



Ele se aproxima do homem caído no chão e pisa em seu nariz. Percebemos uma aglomeração de pessoas se juntando em volta da briga.





Cena 3 – Ocidente – Torre de Vigília

Guardas levam homens e mulheres acorrentados com roupas surradas até suas respectivas selas. Percebemos crianças chorando e mulheres tentando acalma-las. A câmera desvia para o pátio onde percebemos Spenser acorrentado. Em um poste, sua expressão é pálida e está visivelmente desnutrido.


SPENSER – Pelo amor de Deus ! Me matem ! Eu não agüento mais ! Me matem !


Seu grito ecoa pelo pátio. O mesmo se contorce com as mãos e pés amarrados. Spenser sussura consigo mesmo, a câmera foca em sua expressão alucinada.



SPENSER – Eu não agüento mais eu não mereço esse destino, eu fui um bom homem ! Eu não mereço isso ...


Tyler caminha em direção ao homem.


SPENSER – Saia ! Saia ! Você não assistirá minha morte, eu não permitirei !



TYLER – E quem disse que você tem alguma escolha ?


O rei pega uma adaga e a passa sobre os lábios do homem, que sangram. A câmera foca em seu grito agonizante.


SPENSER – Você pode ferir meu corpo, mas jamais minha alma ou meus princípios você cairá Tyler e será uma pena eu não estar vivo para ver.


TYLER – A única coisa que você vai ver é a sua loucura e terá que aprender a conviver com ela durante os últimos momentos de sua vida.

Um vento bate nos cabelos longos do rei, que dá uma pequena pausa observando o homem.


TYLER - Viva com sua dor e a torne sua amiga ...


Tyler caminha de volta para um imenso portão que logo se fecha com a sua passagem. Spenser continua a gritar e a imagem escurece.


CENA 4 - OCIDENTE - BAR LOCAL

A imagem abre rapidamente no bar, percebemos Anoã brigando e uma aglomeração de pessoas em volta, quando guardas finalmente separam a briga, Anoã está intacto e o outro homem sangra bastante. Anoã tenta se soltar do guarda.


ANOÃ - Me solta, seu inútil ! Eu ainda não acabei com ele, me solta !


GUARDA -  Não me importa se você é príncipe ou não, minha tarefa é manter a cidade livre da desordem ! Vamos, saia do bar, agora !


Anoã não responde e sai do bar normalmente, sentando-se em um banco próximo ao bar. A rua está vazia e está começando a anoitecer. Rin logo aparece e senta-se ao lado de Anoã.


RIN - Nossa ... eu não sei o que dizer, obrigado pelo que fez, ninguém nunca fez algo assim por mim.


ANOÃ - Nunca permitiria que um bêbado tratasse uma mulher com tanto desrespeito, por mais que não pareça eu tenho bons princípios.


RIN - Não é questão de não parecer, é que você é da família real, mesmo sendo uma boa pessoa seu estereótipo é de um canalha mimado.


ANOÃ - Então quer dizer que eu sou uma boa pessoa ?


RIN - Sim, você é mais que uma boa pessoa.


Os dois se olham, Anoã aproxiam seu rosto do da mulher, só que Rin se levanta.


RIN - Eu preciso ir ! Até mais !


Rin sai correndo de volta ao bar.


ANOÃ - A gente ainda se vê ?


RIN (sorrindo)  - Com toda a certeza, majestade !


A imagem foca no sorriso de Anoã, quando a imagem escurece.


CENA 4 - OCIDENTE - FLORESTA

Percebemos August e Hamsik escondidos atrás de uma árvore, o anão faz um gesto para que August mantenha silêncio. 


MINOS - Adoro fazer o papel do predador. Isso levanta tanto a minha auto-estima, me sinto tão rápido ...


A câmera foca em Minos (Mark Whalberg) que está com uma armadura comum e Anzi (Dylan Neal)


ANZI - Sei muito bem como você se sente, meu irmão ...


Minos sorri e se movimenta lentamente pela densa floresta, ambos parecem aproximar de August e Hamsik que continuam parados, simplesmente imóveis, até que August sai da árvore e com a espada em punhos fita os dois homens.



HAMSIK - Está ficando maluco ?


Hamsik também sai da árvore e fica ao lado de August, com sua adaga em punhos. Minos e Anzi começam a gargalhar.


MINOS - Uma criança e um anão, nem para escravos eles vão valer alguma coisa.


ANZI - Talvez possam ser servos de escravos ...


August parece não ligar para os comentários.


AUGUST - Me deixe em paz, eu não quero confusão !


ANZI - Ele não quer confusão, minos (ri)


MINOS - Não lembro de ter autorizado que essa criança me dirigisse a palavra ...


Minos salta e rapidamente se transforma em um lobo negro que caminha em direção a August o fitando com os dentes rangindo, Anzi logo se transforma também em um lobo de pelugem castanha. August pula para trás assustado.


AUGUST - Mas o que é isso ?


HAMSIK - Eu preciso que você corra, garoto !


August parece não ligar.


HAMSIK - Vai, agora !


No mesmo instante um lobo salta contra Hamsik enquanto o outro persegue August pela floresta, a câmera foca em August que é derrubado no chão pelo lobo, sua espada voa para longe.


MINOS - Fique parado ou morrerá aqui mesmo.


Leve corte para Hamsik e Anzi ambos estão lutando em uma árdua luta, Hamsik apesar do tamanho demonstra agilidade e consegue atingir o lobo diversas vezes que fica sangrando. O lobo logo ruge. Outro corte para August e Minos, Minos solta August e corre na direção que veio o uivo. Corta novamente para Minos vindo correndo em câmera lenta para cima de Hamsik derrubando o anão no chão e mordendo seu braço, triturando o mesmo. Minos se afasta junto de Anzi e sai dali. August vem correndo ao lado de Hamsik.


AUGUST - Vamos procurar ajuda deve ter algum médico, qualquer coisa que possa te salvar ...


HAMSIK - Você sabe muito bem que eu tenho pouco tempo, August ... meu mestre ficará decepcionado em saber que morri assim.


AUGUST - Cale a boca, seu iditoa ! Você não vai morrer !


August pega Hamsik no colo e corre pela floresta, chega perto de uma bela cachoeira e mergulha o corpo de Hamsik na água, rapidamente a cachoeira se abre, August olha impressionado.


AUGUST - O destino quer você vivo ...


Ele logo entra na cachoeira, quando a tela escurece.


CENA 6 - OCIDENTE - CASA DA FAMÍLIA REAL


Percebemos Jane abrindo a porta de seu quarto, quem está na porta é Shakam. O mesmo logo a beija.


SHAKAM - Você não sabe como foi difícil ficar esse tempo todo longe de você, senti tanto a sua falta ...


JANE - Eu também, mas você sabe muito bem que não pode aparecer assim aqui, sabe o que papai faria se descubrisse ?


SHAKAM - Eu não to nem ali para o que ele faria, sabe a falta que eu senti do seu corpo, do seu olhar, seus beijos ? Eu te amo ...


JANE - Meu corpo você tem agora e temos tempo o bastante para matar a saudades ...


SHAKAM - É por isso que eu te amo, princesa Jane ...


Shakam logo a joga na cama e tira armadura, Jane também tira suas roupas, podemos perceber somente seus seios. Jane passa a mão sobre o abdômen de Shakam.


JANE - Senti falta também do seu corpo.


Os dois se beijam intensamente.


SHAKAM - Vamos ver se  você sentiu realmente ...


Percebemos risadinhas, enquanto a tela escurece lentamente.


CENA 7 - OCIDENTE - RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA REAL

A câmera aproxima-se lentamente de Tyler que está olhando pela janela todo o reino, a câmera aproxima-se e mostra o quão extenso é a área que cerca o castelo da família real. Alguém bate na porta.


TYLER - Entre


Scar entra, está ao lado de uma mulher idosa.


SCAR - Essa é Morgana Yaxley.


Tyler a observa.


TYLER - Eu sei quem é ela, costuma prevê tempesdades, baixas da guerra ... que desgraça você viu dessa vez, Morgana ?


MORGANA - Um garoto ...


TYLER - Um garoto ? Poderia ser mais específica ?

MORGANA - O consagrado, aqueleque veio para libertar os fracos e reestabelecer a justiça no ocidente. Ele já está aqui ...

Tyler parece irritado.


TYLER (gritando) - O consagrado aparece e você só vê quando ele já está aqui ? Que tipo de oráculo é você ? Sua inútil !


Tyler dá um tapa no rosto da idosa que logo cambaleia ao chão.


MORGANA - No mesmo instante que eu vi, eu vim te avisar ... sei o quanto o senhor fica irritado quando não aviso algo, eu juro que não vi há muito tempo !

TYLER - Está mentindo, sua velha deplorável !

Tyler chuta o rosto da mesma, que sangra bastante


MORGANA - Tenha piedade, eu sempre sigo suas ordens, meus marido e filho morreram na guerra, eu tenho um neto para criar ...


TYLER - Eu não tenho piedade.


Tyler gira a espada contra o pescoço da mulher, que logo morre. Scar olha tudo assustado.


TYLER - Scar, ache a casa dela pegue o que tiver de valor e mate quem quer que esteja na casa, vamos ter que retomar as linhas de frente para o combate, o consagrado já deve estar escondido nessa hora, mas vou deixar que ele venha até a mim ... aí o matamos.


Scar apenas assente e sai da sala, arrastando o corpo da idosa. O sangue fica no chão do local. A tela logo escurece.

                     To be Continued ....


terça-feira, 6 de março de 2012












1X02 - Royal Opression


VOZ EM OFF (SKANDAR KEYNES) - No último episódio de Tiberio's Book ...


Percebemos o garoto indo abrir uma sacola, no momento em que ele estende a mão para abrir o embrulho, percebemos uma ventania e logo surge Âmanco, segurando a mão do neto.


AUGUST - Vovô ? Agora eu não tô entendendo é nada !


Percebemos Âmanco caminhando para perto de Euclides.


EUCLIDES - Ora, ora Âmanco ... quantos anos não nos vemos, não é mesmo, irmão ?!


A câmera foca na expressão de August.


Corta para outra cena.


Euclides ergue sua mão e percebemos uma chama azul saindo indo em direção de Âmanco, percebemos outro vento similiar ao início da cena, Âmanco desta vez está atrás de Euclides.


ÂMANCO - Ser mais velho é sinônimo de ser mais forte …


Zoom na expressão de Euclides, o homem está sorrindo.


EUCLIDES - Não tem mais nada que você possa fazer, a espada o escolheu ... e consequentemente o livro de Tibério.


A câmera aproxima-se nas espressões de Âmanco e August respectivamente, demonstrando que os mesmos estão bastante tensos.


ÂMANCO - Isso quer dizer que se ele não abrir a sacola em 24 horas …


EUCLIDES - Ele morre.


A câmera foca no rosto de cada um, todos com expressões de espanto.


Corte Rápido.


Percebemos August lendo um livro, quando a câmera aproxima-se no seu rosto.


AUGUST - Isso não é possível ... não é possível.


A imagem escurece.

CENA 1 - ORIENTE - CASA DOS LUTZ
Music On - The Chase - Howard Shore

August está lendo um livro, a câmera aproxima-se lentamente de seu rosto, percebemos ele folheando as páginas, a câmera foca nas páginas que possuem algumas ilustrações de guerreiros medievais.

AUGUST (EM OFF) - Deixo por meio desse livro o relato dos últimos momentos de minha vida, o momento onde descobri que o ocidente é um outro mundo, totalmente diferente do nosso. Essa é uma história real, a minha história, a história de Tibério.

Enquanto o garoto vai lendo, a câmera vai focando em páginas do livro e no seu olhar.

AUGUST (EM OFF) - Você que está lendo esse livro corre grande perigo, se você está com ele em mãos significa que já sabem de sua existência, você não tem escolha, tem que ajuda-los.

August rapidamente fecha o livro, o garoto está com uma expressão tensa. Percebemos uma ventania e Âmanco logo aparece ali.

Music Off

AUGUST - Precisa realmente aparecer desse jeito, não basta só entrar pela porta ?

ÂMANCO - Desculpe ... é que estava tanto tempo sem fazer magia que agora não consigo parar ... sou como um alcóolatra muito tempo sem beber que experimenta uma pequena taça de vinho e acaba bebendo uma garrafa.

AUGUST - Como faz isso, vô ?

ÂMANCO - Eu e Euclides aprendemos com nosso avô. Mas creio que esse não seja o momento propício para eu contar essa longa história.

Âmanco rapidamente observa o livro que está em cima da cama e tenta mudar de assunto.

ÂMANCO - O que tem no livro ?

AUGUST - Além de frases de intimidação, o livro fala que se eu estou lendo, significa que eu sou o escolhido, ou como ele se refere "O Consagrado".

ÂMANCO - Então realmente você foi escolhido ...

AUGUST - Escolhido para que ?

ÂMANCO - Um Consagrado só aparece quando o ocidente está em guerra, a espada "Leon" tem o poder de matar somente ao encostar, mas ela só mata aqueles que não tem o coração puro ...

AUGUST - Então essa espada, bem aqui em minhas mãos mata só ao encostar ?

August levanta a espada e faz movimentos aleatórios.

ÂMANCO - Cuidado August ... isso não é um brinquedo, é a espada mais poderosa que o mundo já viu.

AUGUST - Tudo bem ...

A câmera foca na espada, com seu cabo inferior de cor negra, com pequenos desenhos de lobos prateados.

AUGUST - O que significa esses desenhos ?

ÂMANCO - São lobos ... o animal sagrado do ocidente, antigamente cada família real tinha um.

August continua olhando admirado para a espada. Quando Âmanco sai do quarto.

ÂMANCO - Peço que fique aqui ... não saia daqui haja o que houver.

AUGUST - Pode deixar.

A imagem escurece, conforme Âmanco vai se retirando do quarto.

CENA 2 - OCIDENTE - Residência da família real
Music On - Purpose - Howard Shore


Percebemos um grupo de pessoas sentados em uma mesa bem decorada, com muita comida, percebemos diversos tipos de frangos sobre a mesa. A câmera dá um giro por volta do salão, revelando o luxo ali presente, ela desvia seu foca para os membros da família. Jane (Natalie Dormer), Allarón (Orlando Bloom), Anoã (Bradley James), Jannete (Joely Richardson)e por fim, Tyler.

TYLER - Fico feliz que tenha voltado vivo meu filho, um sangue real, nobre como o seu ... você não precisava ter arriscado sua vida.

Music Off

ALLARÓN - Somos nobres pai ... precisamos mostrar para toda essa gentinha que somos melhores em tudo.


Tyler ri.

TYLER - Muito bom, meu filho ... um dia será um grande rei

Anoã se levanta.

ANOÃ - Acho que já acabei ...

TYLER (em voz alta) - Sente-se que eu não autorizei que você saia !

Anoã para e se vira.

ANOÃ - Por quê quer que eu fique na mesa ?

TYLER - Não te devo nenhuma satisfação Anoã, sente-se agora.

ANOÃ - Allarón subirá ao trono, não vejo motivos para que eu continue nesse jantar de boa-vindas ao filho prodígio que voltou da guerra com dezenas de cabeças.

Allarón sorri.

ALLARÓN - Na verdade foram centenas ...

Anoã revira os olhos.

TYLER - Os mais fortes sobem ao trono, garoto ...

ANOÃ - O que quer dizer com isso ?

TYLER - Isso mesmo que você pensou. É fraco, mesquinho e mimado.

Jannete bate a colher em uma taça.

JANNETE - Já chega, Tyler ! Já chega ! Não despreze seu filho desta maneira ...

Tyler rapidamente dá um tapa na cara da mulher que cai para o lado.

TYLER - Não tente se opor á mim ! E Anoã volte ao seu lugar ou faço coisa muito pior não só com minha esposa querida, mas com você.

O homem se aproxima calmamente e se senta na mesa. Todos voltam á comer.

JANE - Não sei porque toda essa festa para o meu irmão, todos sabíamos que ele voltaria vivo ...

TYLER - A festa não é só para ele ...

É quando a câmera desvia para uma porta de carvalho na entrada do salão onde a família janta, a mesma se abre lentamente revelando a presença de uma mulher com um longo vestido (Esme Bianco) ela logo se senta junto á família.

MULHER - Desculpe pela demora queridos, minha carruagem foi dirigida por um velho cego e um cavalo capenga ...

JANNETE - Safira ... o que faz aqui ?

SAFIRA - Vim passar um tempo com vocês ... á convite do Rei Tyler

A câmera foca no olhar furioso da mulher em direção á Tyler, quando desvia para o rosto do mesmo que exibe um sorriso sarcástico.
Corta para Abertura

CENA 3 - ORIENTE - CASA ABANDONADA

Percebemos Euclides sentado em um banco, quando um vento forte surge. Percebemos a expressão indiferente do mesmo.

EUCLIDES - É muito feio entrar na casa dos outros sem bater na porta ...

Âmanco está de pé. Atrás de Euclides

ÂMANCO - Eu vim saber o que você vai fazer ...

EUCLIDES - Fazer o quê, Âmanco ?

ÂMANCO - Você meteu meu neto nisso ! Eu sei que tem dedo seu nessa história !

EUCLIDES - Eu não fiz nada, Âmanco ! Há forças no nosso mundo que até mesmo o mais sábio dos homens desconhece os verdadeiros poderes

ÂMANCO - Quero que faça algo para lhe deixar vivo.

EUCLIDES - Não posso fazer nada, se não posso garantir a minha própria segurança, não tem nem como garantir a de um pirralho.

Hamsik abre a porta. Rapidamente os olhares dos homens são direcionados para o anão.

HAMSIK - O que é ? Aconteceu alguma coisa, meu senhor ?

Euclides sorri.

EUCLIDES - Hamsik vai com August para o ocidente.

Âmanco sorri discretamente. Hamsik parece demonstrar descontentação.

HAMSIK - Mas meu senhor ... não creio que eu seja o melhor guarda-costas para acompanhar o fedelho.

EUCLIDES - Calado, anão ! Apenas faça o que eu mando ...

Hamsik se curva.

HAMSIK - Sim, meu senhor.

EUCLIDES - Então está decidido ... Hamsik cuidará dele, mas porque não vai com o August se se preocupa tanto com ele deveria acompanha-lo ...

ÂMANCO - Mas eu vou acompanha-lo.

EUCLIDES - Não, não vai.

ÂMANCO - Não vou ? Agora preciso da sua permissão para fazer as coisas ?

EUCLIDES - Não vai porque não pode, de acordo com o livro uma porta irá se abrir em qualquer lugar, á qualquer hora e levará o consagrado para o ocidente. Acontece que só pode usar o portal aqueles que nunca estiveram lá e você e eu já estivemos.

ÂMANCO - Entendo ...

A imagem escurece lentamente.


CENA 4 - ORIENTE - CASA DOS LUTZ


Music On - Ryuk's Theme 1



Percebemos August deitado em sua cama, quando podemos ouvir um barulho. Passos subindo a escada. August rapidamente empunha sua espada e se dirige lentamente para trás da porta, a câmera foca em sua expressão assustada, a porta se abre. É Gerrard.

AUGUST - O que faz aqui ?

GERRARD - Vim ver se você está bem, oras ! Afinal estava na minha responsabilidade ...

AUGUST - Na sua responsabilidade ? Você me deixou lá !

GERRARD - Quando eu olhei para trás e não vi você fiquei te procurando ... mas pelo visto você está bem, com exceção de alguns cortes e por favor, abaixe a espada.

August faz o que ele pede. A câmera foca na expressão do homem.

GERRARD - Onde conseguiu isso, garoto ?

AUGUST - Meu avô me deu ...

GERRARD - Deixa eu ver ?

AUGUST - Acho que não é uma boa idéia

GERRARD - Largue de besteiras.

Gerrard rapidamente pega a espada e a olha admiradamente.

GERRARD - Não foi seu avô que te deu isso ...

AUGUST - Foi sim.

GERRARD - Essa é a espada Leoni, a espada que procuro por tantos anos e ela está agora nas mãos de um magrelo que nem você.

AUGUST - Lamento, mas ela é minha.

August tenta pegar a espada de volta, mas Gerrard desvia.

GERRARD - Agora é minha, creio que não vai querer lutar comigo, vai ?

August não responde e vai para cima do homem, Gerrard desfere um soco contra o seu rosto. August cai no chão cambaleando. Gerrard se aproxima.

GERRARD - Não conte à ninguém que eu vim aqui, está ouvindo ?

(V.O) HAMSIK - Ele não precisará contar.

A câmera foca Hamsik, Âmanco e Euclides aparecendo. Gerrard se vira, assustado.

ÂMANCO - Você socou o meu neto ?

GERRARD - Se não quiser ser o próximo é melhor sair da minha frente ...

ÂMANCO - É mesmo ?

Âmanco permanece parado. Gerrard vai em sua direção e desfere a espada contra o peito de Âmanco, nada acontece e a lâmina da espada se curva.Hamsik rapidamente pula em cima de Gerrard. E o derruba no chão. Euclides estende as mãos e uma chama azul sai da mesma, atingindo Gerrard, que fica congelado, estático no chão.

EUCLIDES - Como ele sabia sobre a espada ?

ÂMANCO - Eu contei há muitos anos ...

EUCLIDES - Você contou ? O que estava na sua cabeça para contar sobre algo assim ?

ÂMANCO - Não pensei que um dia ela fosse estar bem na minha frente ou tampouco que um dia ele quisesse rouba-la.

August levanta-se do chão e pega a espada de volta. A lâmina logo descurva com o seu contato.

AUGUST - Incrível ...

A imagem escurece.

CENA 4 - OCIDENTE - RESIDÊNCIA REAL

A câmera abre com lentidão, percebemos Safira sentada diante de um espelho, a mesma está se maquiando. Alguém bate na porta.

SAFIRA - Pode entrar ...

Percebemos Allarón entrando no quarto. O mesmo traz uma xicará de café.

ALLARÓN - Meu pai pediu para eu te trazer isto ...

Safira levanta e pega o café, ela toma um gole e olha fixo nos olhos de Allarón.

SAFIRA - Obrigado ... Você é um bom garoto.

Ela desliza suas mãos pelo cabelo do homem.

ALLARÓN - Já sou um homem.

SAFIRA - Ah, é mesmo ?

Allarón sorri e aproxima-se mais da mulher.

ALLARÓN - Por que veio para cá ?

SAFIRA - Seu pai me convidou para passar um tempo aqui, ele já disse ...

ALLARÓN - E você abandonou o minerador ?

SAFIRA - Ele morreu.

ALLARÓN - É de se esperar ... Você não o abandonaria por nada, afinal ele lhe dava tudo ...

SAFIRA - Acho que aqui eu posso ganhar coisa muito melhor.

Ela se aproxima mais do homem.

SAFIRA - Posso ganhar você ...

A mulher o beija, Allarón repete o movimento com mais intensidade. Rapidamente ele tira o vestido da mesma, a câmera foca nas costas da mulher. A imagem escurece lentamente.

CENA 5 - OCIDENTE - CAMPOS


Percebemos duas mulheres percorrendo de cavalo um vasto campo aberto. A câmera aproxima-se lentamente das mesmas. Percebemos que é Elena e Beatrice.

BEATRICE - Já estamos andando a quase um dia, mãe.

ELENA - Se acalme, nada é tão longe que não possamos chegar.

BEATRICE - Avise isso para esse cavalo ...

Percebemos o cavalo parando, notamos que ele está com sede.

ELENA - Vamos parar aqui, tem um lago bem ali

As duas descem de seus cavalos e vão guiando os mesmos até o lago, percebemos uma cachoeira bem próxima dali. Beatrice entra no lago.

BEATRICE - A água está uma delícia ... perfeita para o calor daqui.

Elena sorri e desliza a mão sobre a água.

ELENA - Você tem razão ...

A mulher também entra na água. Por um momento para de cair água da cachoeira, uma enorme onda se forma em direção das mesmas.

ELENA - Vamos sair !

A onda rapidamente engole as mesmas, puxando-as para o espaço entre duas rochas, onde tinha a queda d'água. A água volta a cair de cima da rocha.

ELENA - O que foi isso ?

BEATRICE - Não faço a mínima idéia, pensei que morreríamos ...

Thomas (V.O) - Duas damas jamais morreriam de forma tão banal ...

As mulheres se viram e percebem a cachoeira abrindo, revelando assim a presença do garoto, ele estende a mão para ajuda-las.

THOMAS - Estão um tanto quanto molhadas ...

ELENA - Não é para menos, poderíamos estar mortas agora.

THOMAS - Mas não estão.

Conforme eles vão caminhando, percebem um enorme acampamento com diversas tendas, que localizava-se atrás da cachoeira.

ELENA - Por isso que a corte nunca descobriu vocês ...

THOMAS - Esse lugar é uma prova de que a natureza está do nosso lado nessa guerra, só ­­­aqueles que não visam a distruição descobrem esse lugar e pelo visto a intenção das duas é boa.

A câmera acompanha os mesmos entrando em uma tenda. Percebemos Abraham sentado em uma cadeira, ele levanta-se para abraçar Elena e Beatrice.

ABRAHAM - Como ela cresceu ! Lembro quando ela brincava com Thomas, quando eram só criancinhas.

ELENA - Pois é, bons tempos ! Tempos em que não tínhamos de nos preocupar em ser mortos ...

ABRAHAM - Por falar nisso vamos aos assuntos que levam a sua presença aqui

ELENA - Beatrice quer secar suas roupas lá fora ?

BEATRICE- Tudo bem mãe, entendi.

A garota se retira da tenda.

ABRAHAM - Thomas, vá mostra-la o acampamento, ele pode se perder.

O garoto assente e se retira também. Abraham puxa uma cadeira para Elena sentar. A mesma senta e a imagem vai escurecendo lentamente.

CENA 6 - ORIENTE - CASA DOS LUTZ


Percebemos August, Hamsik, Euclides e Âmanco em um quarto. Ambos estão de pé.

EUCLIDES - Você está preparado, garoto ?

AUGUST - Preparado para o que ?

EUCLIDES - Para ir para o ocidente ... Eles precisam de sua ajuda. Você é o escolhido

AUGUST - E eu tenho escolhas ?

EUCLIDES - Lamento, mas não.

AUGUST - Então quero logo acabar com isso ... o livro, as escrituras tudo está me amedrontando, não posso ficar me prendendo á isso ... Se esse é o meu destino que aconteça logo.

EUCLIDES - Só precisamos esperar o momento certo chegar

AUGUST - Qual é o momento certo ?

EUCLIDES - Eu não faço idéia ...

Hamsik se aproxima de Gerrard parado no chão e o cutuca.

HAMSIK - O que faço com ele, senhor ?

EUCLIDES - Deixe-o aí apodrecendo.

O anão sorri. A câmera foca em August.

AUGUST - O que eu faço até lá ?

EUCLIDES - Espere ...

AUGUST - E como Hamsik vai conseguir me acompanhar até lá ?

EUCLIDES - Ele precisará ficar colado com você o dia inteiro, cada passo seu ele vai estar perto ...

Hamsik e August balançam a cabeça ao mesmo tempo, demonstrando total descontentação.

EUCLIDES- Sugiro que você não tente se desgrudar dele, August ... caso ao contrário você pode acabar indo parar lá sozinho.

AUGUST - Pode deixar.

ÂMANCO - É melhor ouvi-lo, August e passarei a noite aqui com você ... Não sei para quem mais Gerrard contou sobre a espada.

Corte para próxima cena.

CENA 7 - OCIDENTE - RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA REAL


A câmera abre rapidamente numa imagem. Onde percebemos Safira com seus seios aparecendo, atrás dela está Allarón. Notamos o que os dois estão fazendo. Ela realiza movimentos para frente e para trás, Safira geme auto. A câmera foca em Allarón, ele suspira. Quando os dois param, Safira entra debaixo de um cobertor e Allarón fica por cima dela.

ALLARÓN - Veio até aqui para isso né, Tia ? ...

O homem ri

SAFIRA - Você continua o mesmo de anos atrás ... mas deve continuar mantendo isso em segredo ... relações com familiares não são bem-vistas.

ALLARÓN - Não contarei ... com uma única condição.

SAFIRA - Ah é mesmo ? Qual é ?

ALLARÓN - Fizermos outra vez ...

A mulher sorri.

SAFIRA - Poder ser a hora que você quiser, você sabe que para você estou disponível sempre.

Allarón levanta-se e coloca sua roupa.

ALLARÓN - Preciso agora dormir ... A cerimônia de recepção do quinto esquadrão será amanhã, preciso estar descansado para uma longa manhã diplomática.

SAFIRA - Esse não é o esquadrão do general Shakam ?

ALLARÓN - Exatamente ... mas como sabe ?

SAFIRA - Seus músculos são conhecidos por toda a capital.

ALLARÓN - Lembre-se que enquanto estiver aqui o único músculo que vai ter são os meus ...

Safira sorri e levanta-se abraçando Allarón e o beijando calorosamente.

SAFIRA - Eu me contento com você ... lindinho.

A imagem escurece lentamente conforme os dois se beijam.

CENA 8 - OCIDENTE - ACAMPAMENTO DOS REFUGIADOS
Music On - The Thief - Howard Shore




Percebemos Thomas e Beatrice caminhando pelas tendas. Percebemos Thomas mostrando para ela alguns locais. Percebemos uma grande movimentação de pessoas. Homens armados recebem treinamento e algumas mulheres costuram. Até que os dois desta vez caminham por uma floresta.

Music Off

BEATRICE - Como descobriram esse lugar ? É tão improvável ...

THOMAS - Do mesmo jeito que você. Estávamos procurando um lugar para passar a noite e resolvi dar um mergulho e achei esse lugar. Meu pai imediatamente comunicou todos e estabelecemos outros acampamentos aqui. Se não fosse esse lugar talvez muito de nós estivéssemos mortos vítimas das pragas que estavam se alastrando no outro acampamento.

BEATRICE - Isso é fantástico, Tom.

Percebemos um certo período de silêncio, que logo é cortado pelo jovem.

THOMAS - Mas por que veio para cá ? Meu pai não quis me contar ...

BEATRICE - Desculpe mas eu não gosto de falar nisso ... me traz péssimas lembranças, não gosto de reviver o pavor que eu passei.

THOMAS - Eu entendo ... ás vezes também é difícil para mim, ter tanta responsabilidade ... Tudo que eu quero é que essa guerra acabe.

BEATRICE - Ela acabará, Tom. Não sabemos como, mas acabará.

THOMAS - Rezo para que você esteja certa ... não sei se aguento mais cinco anos ...

BEATRICE - Acredito que não passará desse ano. Ou venceremos ou seremos todos mortos.

THOMAS - Seu jeito realista de falar chega a me comover.

Beatrice sorri.

BEATRICE - Precisamos encarar a realidade sempre.

Os dois continuam andando. Quando acontece um grande estalo de canhão. Beatrice se vira assustada

BEATRICE - O que é isso ?

THOMAS - Não se preocupe, é só o alerta de que está por anoitecer, é como um convite para que evitem ficar perambulando por aí ...

Os dois rapidamente mudam a direção da caminhada e voltam para as tendas.

CENA 9 - ORIENTE - CASA DOS LUTZ

Percebemos August deitado em uma cama se preparado para dormir, Hamsik se deita logo ao seu lado. Hamsik tenta abraçar o mesmo.

AUGUST - Sai pra lá ! Queria que uma garota colasse assim em mim, não um anão !

HAMSIK - Ordens do senhor Euclides.

O anão repete o movimento com mais itensidade. August demonstra irritação.

AUGUST - Não encosta ! Já disse ! Já não basta você dormir ao meu lado ?

O anão se vira para o outro lado. A câmera foca em Âmanco que está adormecido em uma cadeira de balanços. August pega no sono, percebemos uma luz azul surgir do livro em direção a cama. Âmanco se levanta, percebemos o mesmo colocando os óculos.

ÂMANCO - August ! Esse é o portal ! A espada !

Rapidamente, o idoso joga a espada em direção da cama. August consegue segura-la. Hamsik está acordado. Percebemos aos poucos os corpos dos mesmos indo se apagando gradativamente. August estende sua mão.

AUGUST - Espero voltar ... vô, eu te ...

Antes que ele termine a frase seu corpo desaparece, Âmanco observa a cena com o braço estendido, em frente á cama que agora está vazia. Euclides abre a porta e sorri ao olhar para cama.

EUCLIDES - Parece que finalmente foram ...

AUGUST - Espero um dia retornar a vê-lo.

EUCLIDES - Você verá. Quando foi que um consagrado não ganhou a guerra ? Se ele não conseguir vencer, ninguém conseguirá, o livro nunca mente.

Euclides pega o livro e o mesmo despedaça em suas mãos, tornando-se cinzas.

ÂMANCO - Parece que o livro já passou todas as informações que precisava ...

Euclides assente e a imagem escurece.



To be Continued ...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Episódio 1X01 - PILOT





CENA 1 - Oriente - Vilarejo de Knoxville


Music On - Mello's Theme Soundtrack







A câmera abre no céu, podemos perceber claramente que está amanhecendo, a câmera vai aproximando-se do alto para um vilarejo e logo em seguida atravessando uma janela, podemos perceber Augustus (Skandar Keynes) acordando, o garoto parece estar apressado e desce o quarto correndo, após chegar na sala para e observa um idoso tomando café.


Music Off


AUGUST - Desculpe vovô, acabei perdendo a hora ... mas pelo que estou vendo parece que o senhor já fez seu café.


ÂMANCO- August, não precisa passar a sua vida se preocupando comigo, sabe muito bem que eu sei me virar.


AUGUST - Não é questão de viver minha vida me preocupando, só não quero que algo aconteça com o senhor, não tenho mais ninguém além de você.


ÂMANCO- O que tem de acontecer, acontece, filho. E nada pode nós megeros homens mudar o que o destino tem para nós, não vê sua vó ? Que de uma hora para a outra sumiu ? Lucy era realmente uma grande mulher (soluça) grande mulher !


Podemos perceber uma lágrima descendo sobre o rosto do idoso.


AUGUST - Está vendo vovô? Nem sempre gostamos do que o destino têm para nós.


ÂMANCO - Aprender a viver com o que gostamos ou não é o verdadeiro significado de viver meu garoto, com o tempo a vida lhe ensina preciosas lições, iria gostar de conhecer Lucy, uma cozinheira de mão cheia.


AUGUST - Aposto que ela devia cozinhar melhor que eu (risos) O que não é uma tarefa difícil, levando em consideração que eu sou péssimo.
ÂMANCO - Sua comida não é tão ruim, meu filho. Ao menos consegue nos manter saudáveis, se eu fosse mais jovem e não um velho imprestável poderia te ajudar na cozinha ...


AUGUST - Não diga isso ! Eu gosto de ajudar, e o senhor não é imprestável, já viveu muitas aventuras ... quero dizer ... viveu se as histórias que você me conta são realmente verdadeiras.


ÂMANCO - É óbvio que são verdadeiras ! Acha mesmo que eu iria mentir sobre assuntos tão sérios ? Não seja tolo !


A câmera foca no rosto de August que sorri meio envergonhado. Logo passa a focar o relógio de pêndulo que está no canto da sala, o mesmo toca e August coloca um casaco que estava pendurado na porta da casa e sai correndo para fora.


AUGUST - Até mais !


A tela escurece. Corta para a Cena 2.


CENA 2 - Oriente- Vilarejo de Knoxville


Music On - Celtic Song




Percebemos homens montados em cavalos andando pela cidade, todos seguindo o mesmo ritmo,ao redor da cidade existem faixas escritas "100 anos - Cavalaria de Knoxville", em meio á uma pequena multidão podemos perceber August olhando admirado para aquilo, foi quando percebemos que o evento acabou com o soar de uma corneta. A câmera desvia o seu foco e mostra August chegando no estábulo, percebemos homens deixando os cavalos e comemorando, ouvimos gritos de guerra "Viva á cavalaria!". A câmera foca no rosto de um homem, Gerrard (Viggo Mortensen), o mesmo olha para August.


Music Off


GERRARD - O que faz aqui, garoto ? Deveria saber que não é permitida a entrada de estranhos


AUGUST - Não sou um estranho, deve me conhecer ... Augustus Lutz. Adoro cavalos desde criança.


GERRARD - Adora cavalos ? O que um jovem magrelo como você sabe sobre cavalos ?


Após as palavras, percebemos outros homens rindo.


AUGUST - O suficiente para saber montar.


A câmera mostra Gerrard aproximando-se devagar, dá a entender que ele vai fazer alguma coisa pelo seu olhar irritado direcionado ao jovem, mas nada acontece.


GERRARD - Se hoje a minha cavalaria não completasse cem belos anos de histórias, juro que você teria o devido castigo que um moleque mal-criado merece, mas pelos atuais fatos vou tentar ser o máximo compreensível. Mas me diga, meu jovem ... Já montou alguma vez ?


AUGUST - Ainda não. Mas eu juro que sei, li todos os livros da biblioteca do meu avô que tratavam desse assunto.


GERRARD - Livros ? Acha mesmo que livros encardidos ensinam alguma coisa ? O único método de se aprender alguma coisa é na vida real, garoto. Tome isso.


Percebemos Gerrard entregando uma sela ao garoto, a câmera foca na expressão de surpresa de August.


GERRARD - Espero que saiba o que fazer com uma sela.


A tela escurece no momento em que August coloca a sela em um cavalo de cor negra e começa a cavalgar junto de Gerrard.




CENA 3 - Oriente - MONTANHAS


A imagem se abre aos poucos mostrando dois cavalos andando, a câmera por outro ângulo nos mostra desta vez que em cima dos cavalos está Gerrard e Augustus. Os dois conversam.


GERRARD - Para um iniciante até que está indo bem


AUGUST - Obrigado, capitão.


GERRARD - Mas me diga é realmente verdade que você nunca saiu do vilarejo ? Quero dizer ... nunca viu o que tem além das grandes montanhas ?


AUGUST - Não senhor, o máximo que sei sobre o mundo exterior é o que meu avô e os livros contam.


GERRARD - O velho Âmanco Lutz ... ele ainda conta as histórias de como chegou no vilarejo, fugindo da guerra do ocidente ? Que no caminho matou mais de 100 homens usando uma única adagada ? Ou de que uma prostituta pagou para passar uma noite com ele ?


AUGUST - A da prostituta não tinha ouvido, mas também não faço questão ... se é que me entende ... mas como sabe das histórias do meu avô ? Não sabia que tinha tanta intimidade com ele, para falar a verdade não sabia nem que vocês se conheciam.


GERRARD - Quando eu era garoto eu gostava de ouvir as histórias, lembro que sempre batia na porta dele, posso dizer que o seu avô foi meio que uma inspiração para mim


AUGUST - É, acho que ele serviu de inspiração para muitas pessoas …


Após um tempo em silêncio, a câmera nos mostra os mesmos cavalgando quando chegam ao topo de uma grande montanha, Augustus rapidamente desce do cavalo.


GERRARD - É isso que têm além das montanhas …


A câmera foca no rosto de decepção do jovem, quando em um giro nos mostra que além de onde estão os dois, existe mais montanhas e matas.
AUGUST - Além das montanhas existe mais montanhas ?


GERRARD (rindo) - Não é só isso, existem também outros pequenos vilarejos como o nosso, fundados após a guerra do ocidente. Já do outro lado do rio ... nem eu, nem ninguém faz a mínima idéia do que tem lá.


AUGUST - O rio que separa o ocidente do oriente, dizem que do outro lado não existe mais ninguém vivo, somente os crânios dos soldados que lutaram pela posse do território.


GERRARD - Parece conhecer bem a história, rapaz ...


AUGUSTUS - Queria que eu não conhecesse ? O único vindo do ocidente do vilarejo é meu avô, ele conta isso toda hora …


Podemos perceber claramente que Augustus é interrompido.


GERRARD - Seu avô é o único vindo do Ocidente ? Não diga besteiras ! Há um homem que já morreu, seu nome era Euclides, ele também veio do ocidente e há muitos anos ele foi queimado em sua própria casa acusado de praticar magia negra.


AUGUST - Magia negra ? Quem acreditaria em tamanha bobagem ?


GERRARD -Quase todos da época, ele era o líder daqui na época e foi alvo de uma conspiração ... Muitos criticavam sua tirania e ele acabou sendo taxado de bruxo por um homem, seu nome era Olivier Pendragon, eles eram rivais. Euclides foi queimado em sua casa e no chão estava escrito em sangue "A morte pode ser vista por outro ângulo, diferente do que os mortais acreditam ser ". Após isso pessoas passaram a acreditar que ele realmente era um bruxo, Euclides ou qualquer coisa relacionada ao mesmo nunca foi achada desde então.


AUGUST - Que história mais bizarra, isso quer dizer que após a morte desse tal de Euclides o Olivier se tornou líder ? E ninguém percebeu que era uma jogada política ?


GERRARD - As pessoas o viram como herói por salvá-los do possível "bruxo" e ele foi convidado à se tornar líder ..
Após as palavras do homem, podemos perceber que começa a chover, Augustus e Gerrard vão cavalgando de volta para o vilarejo, quando o cavalo do garoto acaba por troepçar e rola a montanha, junto de Augustus. A câmera nos mostra o garoto caindo do cavalo quando escurece.


Corta para Abertura


CENA 4 - Ocidente - Acampamento de Refugiados


A câmera abre lentamente num amplo local, cercado de árvores e mata, percebemos pequenas tendas por toda a extensão do terreno. A câmera foca no rosto de algumas pessoas, percebemos que muitos são doentes e alguns exibem queimaduras. O foco é desviado para Thomas (Ed Speelers) que entra numa tenda, é uma das maiores e mais bem decoradas. A câmera nos mostra Abraham (Mark Addy) o mesmo está empunhando uma espada e realiza movimentos com a mesma.


THOMAS - De que adianta empunhar uma espada se não precisará usá-la, pai ?


ABRAHAM - Não precisarei usar ? São tempos de guerra garoto, até um demente deveria aprender a empunhar uma ... quanto mais um ex-rei, mas não acho que veio até aqui para ver minhas habilidades, estou certo ?


A câmera mostra Abraham colocando a espada de volta na bainha.


THOMAS - Não senhor, vim até aqui para saber que providências devemos tomar. Temos homens morrendo á cada dia, feridos em combate ou vítimas de pragas. Até quando vamos viver por aí, sem local fixo? Precisamos mostrar que não somos inferiores à eles !


Percebemos Abraham se aproximando, a câmera foca no rosto do homem.


ABRAHAM - Não venha você me dizer o que devemos ou não fazer. E no fundo do seu coração você sabe o que devemos fazer. Tempos de guerra, abuso do poder, extorção ... Não lembra que isso já aconteceu antes e vai me dizer ainda que não lembra como terminou ?


THOMAS - Está me falando que acredita na lenda ? De que um homem com poderes inimagináveis irá simplesmente aparecer e acabar com a guerra. Isso é uma lenda, pai, não acredito que um homem como você seja ignorante o suficiente para acreditar nisso.


ABRAHAM - Um homem sem fé é um homem sem princípios, Tom. Se já aconteceu uma vez, nada impede de acontecer de novo.


THOMAS - Está me dizendo para ficar para ficar parado e esperar o tal homem chegar ? Enquanto isso crianças perdem seus pais, pais perdem seus filhos e pouco á pouco todos vão morrer !


ABRAHAM - De qualquer jeito muitos irão morrer, não temos homens e nem armamento para enfrentar a tropa real, os outros acampamentos estão todos sendo destruídos, aos poucos eles vão conseguir o que realmente querem.


THOMAS - Não podemos deixar que isso aconteça !


A câmera foca em Thomas novamente saindo da tenda, quando a tela escurece.


CENA 5 - Oriente - LUGAR DESCONHECIDO


A câmera vêm numa visão aérea, aproximando-se com lentidão de uma montanha, percebemos August caminhando com as roupas rasgadas e molhadas, ainda chove, mas muito pouco se comparado com o que estava chovendo antes.


AUGUST - Gerrard ! Cadê você !? Alguém me ajuda !


Foi quando percebemos uma flechada que acerta o tronco de uma árvore atrás do garoto. A imagem nos mostra August se abaixando atrás de uma pedra, a câmera passa agora a nos mostrar o que Augustus está vendo, percebemos algo se mexendo entre os arbustos. August se levanta e vai andando calmamente, lentamente ele arranca parte das folhas que estavam ali.


AUGUST - Podia jurar que tinha visto alguma coisa aqui.


O garoto se vira e percebe um saco caído no chão, se aproxima para ver o que é e recua com uma intensa luz que sai do saco. Percebemos uma voz feminina


VOZ : Se a guerra lhe procurar, aceite. Se a corvardia lhe bater a porta, recuse. Os segredos contidos aqui só os puros deverão saber.


AUGUST - Mas que droga é essa ? Será que bati com a cabeça ?


O garoto vai abrir o saco, mas logo após isso o garoto desmaia, a câmera foca no garoto caindo do chão, logo revelando por trás do mesmo a presença de um anão, Hamsik (Peter Dinklage) com uma siringa que havia tirado das costas de August.


HAMSIK (sorrindo) - Que trabalho mais duro ...


A imagem escurece.


CENA 6 - Ocidente - PALÁCIO DA CORTE


A câmera abre em um imenso palácio, percebemos cadeiras vermelhas com dourado por todo o local, o piso é visivelmente polido, percebemos um homem (Ioan Gruffud) carregando um jovem (Kit Harington) com as mãos amarradas, logo ele entra em um amplo cômodo onde está Tyler (Sean Bean)observando a paisagem que é proporcionada pela janela.


HOMEM - Senhor, conseguimos pegar esse aqui.


Tyler se vira e observa o jovem.


TYLER - Bom trabalho, Scar, você é um bom caçador. Estava procurando esse já fazia um tempo.


SCAR - Obrigado, meu rei.


TYLER - Dispensado.


Percebemos Scar saindo do cômodo, carregando o jovem de volta.


TYLER - Ele fica


Scar rapidamente joga o mesmo no chão, Tyler caminha até o jovem que permanece mudo.


TYLER - Idéias revolucionárias ... me pergunto o dia em que intelectuais como você, Spenser Volvier , vão parar de achar que podem mudar alguma coisa. Quando vão parar ? Me diga !


Tyler se aproxima de Spenser. O mesmo cospe na cara do rei. Tyler limpa com um pano que estava por ali e olha para o jovem, sorrindo :


TYLER - Não tiro a sua cabeça pois seria fácil demais ... Além do mais que eu sujaria o chão do meu belo escritório com sangue de um ... qual é mesmo a palavra ? Inútil ! Sua sentença é ser preso.


SPENSER (rindo)- Me prender ? Quanta bondade sua, a ferocidade que ouvi á seu respeito é tão mentirosa quanto os seus títulos de guerreiro ? Poupe-me


TYLER - Preso sem comida ou água, vamos ver quanto tempo você aguenta até enlouquecer, vai chegar um ponto em que você vai comer seus próprios membros, alimentar-se de seus dejetos e eu vou querer estar lá para sorrir da sua angústia.


A câmera foca no rosto preocupado de Spenser.


TYLER - Homens ! Levem-no !


Rapidamente o jovem é retirado.


TYLER (rindo) - Esses bossais de hoje em dia, cada vez mais idiotas ...


CENA 7 - Oriente - Casa Abandonada


A câmera abre de forma meio embaçada, como se estivéssemos vendo a cena como se fosse a própria pessoa que está ali. Percebemos que é August deitado em uma cama, percebemos também que Hamsik está ali, observando August, o anão está sentado em uma cadeira de balanço.


HAMSIK - Ora, ora, vejo que o reizinho acordou.


August apalpa o bolso, notamos que não tem nada.


HAMSIK - Está procurando isso ?


Hamsik mostra uma adaga e logo a dobra, jogando no chão e pisando em cima.


AUGUST - O que você fez, seu idiota ?! Isso era importante para mim !


HAMSIK (rindo)- Por que tão importante ? Você não conseguiria nem ferir uma mosca ... é um magrelo fraco sem nenhuma habilidade de luta.


AUGUST - Isso vindo de um homem com um metro de altura.


Hamsik sorri de lado, quando em um movimento rápido o mesmo fica em cima de August, o mesmo está deitado e o anão coloca uma faca sobre a garganta do garoto.


HAMSIK - Continue falando idiotice e não conseguirá mais falar nada


Quando ouvimos o barulho de uma porta batendo, Hamsik rapidamente se levanta. A câmera foca em sua expressão tensa. O mesmo vai com sua faca em mãos e aproxima-se da porta, podemos ouvir barulho de passos na escada, quando a porta do quarto onde Hamsik e August estão abre, percebemos a figura de um homem com longas barbas usando um chapéu pontudo, trajava uma capa até a canela e botas negras, podíamos perceber que estavam bem gastas.


HAMSIK - Pelo poder do ocidente, meu mestre, quase me matou de susto.


HOMEM - Sabe muito bem que não sou fã de chegadas simples ...


AUGUST - O que vocês querem comigo ? Minha família não tem nem um pouco de dinheiro, então para que me sequestraram ?


O homem desvia sua atenção para August e começa a rir.


HOMEM - Te sequestrar ? Não fale besteiras ! Estou aqui por um bem maior ... mas não nos apresentamos devidamente August, meu nome é Euclides.


August está com um olhar assustado, a câmera foca nele.


AUGUST - Euclides ? O bruxo vindo do ocidente ?


EUCLIDES - Não sou um bruxo meu garoto, só sei alguns truques ... mas como sabe da minha existência ? Pensei que minha lembrança já havia se apagado da mente de todos daqui.


AUGUST - Se apagou pois acham que você está morto ... ou meio-morto


EUCLIDES - Meio-morto ? Essas pessoas de hoje em dia, possuem uma imaginação tão fértil. Como alguém poderia estar meio-morto ?


AUGUST - Acham que você reviveu ... ou melhor, acham que você é imortal. "A morte pode ser vista por outro ângulo, diferente do que os mortais acreditam ser " não foi essa a frase que você usou ?


EUCLIDES - Eu também vejo a morte de outro ângulo, também sou um mortal meu garoto, que falta de interpretação de vocês ...


Percebemos o homem pegando um saco que estava em cima de uma cômoda, o mesmo que August havia achado antes de parar ali.


EUCLIDES - Abra-o ..


AUGUST - Porque não abre você mesmo ?


EUCLIDES - Por isso ... Hamsik abra !


Rapidamente percebemos o anão abrindo o saco, uma luz intensa surge e o mesmo é jogado contra a parede. Hamsik levanta-se meio desajeitado e tonto. Percebemos o olhar espantado de August.


EUCLIDES - Agora entende ?


AUGUST - E você quer que eu abra ? Não tenho o mínimo desejo de que isso aconteça comigo


EUCLIDES - Isso não vai acontecer


A imagem escurece. Corte rápido para próxima cena.


CENA 8 - OCIDENTE - FLORESTA


Music On - Invasion's Soundttrack
A câmera abre com rapidez em uma imensa floresta, primeiramente percebemos os cascos de diversos cavalos correndo, logo notamos que são homens usando armaduras que estão em cima dos cavalos, o único homem que não estava com armaduras era Shakam (André Segatti)


SHAKAM - Vamos proseguir a partir daqui a pé, o rei quer que não deixemos ninguém vivo, entenderam ?


Todos descem de seus respectivos cavalos, a câmera vai acomapanhando os homens andando, logo desvia para onde Shakam está, ele caminha em meio de diversas árvores e arbustos, notamos um arbusto se mexendo, rapidamente Shakam vai seguindo os barulhos, ele realiza uma corrida pela mata. É quando a pessoa que ele está perseguindo cai, notamos que é uma mulher (Roxanne Mckee) com uma longa capa.


Music Off


MULHER - Por favor tenha piedade ... eu não sou ninguém importante, meu sangue não vale absolutamente nada para a corte.


SHAKAM - Piedade ... acha mesmo que eu deva ter ?


MULHER - Eu lhe imploro.


SHAKAM - Talvez sim, talvez não ... você é uma bela mulher, o tipo de mulher que encantaria qualquer homem que está prestes a voltar da guerra.


A câmera foca no rosto assustado da mulher. Shakam rapidamente desliza suas mãos sobre a capa da moça, fazendo com que a mesma caia e ela fique nua, só notamos seus seios, Shakam apalpa os mesmos.


SHAKAM - Belos ... assim como você


O homem aproxima seu corpo do da mulher e começa a beija-la, a mulher não demonstra reação a mesma é preensada contra o tronco de uma árvore.


SHAKAM - Agora vire …


A mulher está parada, sem reação.


SHAKAM - Vire se quiser que eu poupe sua vida.


A mulher vira, Shakam rapidamente a inclina levemente, conseguimos notar o que vão fazer, até que de repente a moça cai no chão, a câmera foca em seu pescoço, percebemos uma flecha encravada no mesmo. Shakam se vira, podemos percebemos que tem um homem ali (Jamie Campbell) com um arco-flecha.


SHAKAM - O que pensa que fez ?


HOMEM - Não acredito que iria estrupar aquela mulher.


SHAKAM - O que você tem a ver com isso, Francis ?! Seu estúpido !


FRANCIS - Você mesmo disse que o rei queria todos mortos, sem exceção. Já que você não fez o seu dever eu fiz o meu, general.


SHAKAM - Olhe como fala comigo seu fedelho !


Shakam dá um soco na cara do jovem que logo cai ao chão. Ele tira sua espada da bainha e a direciona contra o rosto de Francis.


FRANCIS (rindo) - O que vai fazer, me matar ? Sabe muito bem que sou o melhor arqueiro de todo o exército, o rei me adora e sabe que você me odeia ...


SHAKAM - Só está vivo pois precisamos de você.


Francis se levanta.


SHAKAM - Vivo ... mas não inteiro.


A câmera fixa na espada movendo-se contra o rosto de Francis, causando um corte diagonal por todo o rosto, o rosto do jovem sangra bastante. Ele se deita no chão e geme de dor.


SHAKAM - Largue de frescure e levante-se, quero logo ir embora e lembre-se : está me devendo uma mulher, de preferência virgem.


A imagem escurece. Corta para outro local da floresta.


Percebemos um cavalo galopando, em cima dele está uma mulher (Lenna Headey) e uma adolescente (Sophie Turner) , as mesmas exibem expressões tensas.


GAROTA - Ela se sacrificou por nós, mamãe.


ELENA - Ela mesmo achou melhor que fosse ela á mim, achava que eu deveria cuidar de você ... mas que deus guarde sua alma, foi uma boa mulher. Vamos logo Beatrice, não podemos deixar que a morte dela seja em vão, precisamos chegar vivas no acampamento de Abraham.


BEATRICE - O gordo preguiçoso ?


ELENA - Não fale assim do homem que irá nos acolher ...


GAROTA - Como vamos entrar no acampamento ? Se nem a corte sabe a localização do mesmo, como você sabe ?


ELENA (sorrindo) - Eu não sei minha filha.


Corta para próxima cena.


CENA 9 - ORIENTE - CASA ABANDONADA


A imagem abre lentamente, percebemos Augustus desta vez em pé ao lado de Euclides, Hamsik continua sentado na sua cadeira de balanço.


EUCLIDES - Vamos, August ... Abra logo !


Percebemos o garoto indo abrir, no momento em que ele estende a mão para abrir o embrulho, percebemos uma ventania e logo surge Âmanco, segurando a mão do neto.


AUGUST - Vovô ? Agora eu não tô entendendo é nada !


Percebemos Âmanco caminhando para perto de Euclides.


EUCLIDES - Ora, ora Âmanco ... quantos anos não nos vemos, não é mesmo, irmão ?!


A câmera foca na expressão de August, espantado. Logo desvia o foco pEara Âmanco.


ÂMANCO - O que pensa que está fazendo induzindo meu neto á abrir a sacola ?! Você sabe muito bem o que vai acontecer com ele caso ele faça isso, uma das condições de eu não contar para ninguém sobre você, foi me deixar em paz !


EUCLIDES - Acha que eu sabia que August é o consagrado ?! Quanto menos eu me envolvesse com você, melhor ! É para salvar o ocidente meu irmão e o seu neto é a peça fundamental.


ÂMANCO - Por que esse apego repentino com a nossa terra natal ? Sempre odiou !


EUCLIDES - A única coisa que odeio mais que o ocidente é a corte, meu irmão.


ÂMANCO(gritando) - Já te disse que nem eu nem o August vamos nos meter nisso !


EUCLIDES - Não precisam de um velho como você, o meu interesse é unicamente e exclusivamente com August, portanto Âmanco, pare de enxer ...


Euclides ergue sua mão e percebemos uma chama azul saindo indo em direção de Âmanco, percebemos outro vento similiar ao início da cena, Âmanco desta vez está atrás de Euclides.


ÂMANCO - Ser mais velho é sinônimo de ser mais forte …


Zoom na expressão de Euclides, o homem está sorrindo.


EUCLIDES - Não tem mais nada que você possa fazer, a espada o escolheu ... e consequentemente o livro de Tibério.


A câmera aproxima-se nas espressões de Âmanco e August respectivamente, demonstrando que os mesmos estão bastante tensos.


ÂMANCO - Isso quer dizer que se ele não abrir a sacola em 24 horas …


EUCLIDES - Ele morre.


A câmera foca no rosto de cada um, todos com expressões de espanto. August se levanta e vai em direçao a sacola.


AUGUST - Chega disso ! Eu não sou covarde !


No momento em que o garoto abre a sacola, uma luz forte surge da mesma e em questão de segundos se cessa, percebemos uma espada e um livro, a câmera foca no livro que já é bem velho e gasto.


EUCLIDES - Leve-o para casa Âmanco ... acho que lá ele ficará mais tranquilo ...


A imagem escurece.


CENA 10 - Ocidente - Floresta


Percebemos homens montados em cavalos, notamos Shakam e Francis lado-a-lado.


SHAKAM - O gato mordeu sua língua ? Ou será que a minha lámina arrancou-a por distração ?


Francis não responde, percebemos que o rosto do mesmo já não está sangrando, mais sua expressão já não é a mesma, seu rosto está completamente deformado.


SHAKAM (rindo) - Até que você ficou bonitinho ... se der sorte consegue casar com uma prostituta aposentada


FRANCIS - Se continuar falando, o rei vai saber o que você fez, logo após eu te matar ...


SHAKAM - Me matar ? Se conseguisse essa proeza você acabaria sendo condenado por traição …


FRANCIS - Não me importo Shakam ... um dia eu ainda vou ter a sua cabeça e até que esse dia chegue, sugiro que fique atento, nunca se sabe o que pode acontecer ...


SHAKAM - Será que vou ter que arrancar seu rosto inteiro para você aprender a ter respeito ? Cale-se agora, seu verme !


O cavalo de Shakam se aproxima do de Francis, Shakam logo dá um tapa na cara do jovem, que grita em função dos ferimentos que ainda não haviam cicatrizado.


SHAKAM - E caso perguntem o que houve com você, diga que foi um urso montanhês. Sabe como eles são agressivos !


Francis assente positivamente. A imagem escurece e corta rápido para uma pequena cena, Percebemos August lendo o livro, quando a câmera aproxima-se no seu rosto.


AUGUST - Isso não é possível ... não é possível.


A imagem congela e escurece aos poucos.

To be Continued ...











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